Cavernas

2º
parte
Bem
vindos ao fascinante e recompensador mundo de
mergulho em cavernas,mas cuidado, porque uma vez
que experimente, não vai querer fazer outro tipo
de mergulho. (NSS-CDS
Cave Manual)
Por
Marcus Werneck
Marcus
Werneck
é diretor de treinamento da PDIC Brasil e Argentina,
Instructor Trainer Nitrox (PDIC), Diver Technical
Deep com trimix da IANTD e Full Cave Diver por
NSS-CDS.
As
fotografias pertencem a Marcus Werneck
As ilustrações se extraíram do Manual de Caverna
do NSS - CDS.
O
Equipamento
Na maioria das situações de mergulho em caverna,
os equipamentos usados são os mesmos do mergulho
em águas abertas, com algumas diferenças básicas
na redundância (equipamentos usados por segurança,
nas adaptações e nos cuidados que o mergulhador
deve ter. As situações como manômetro e octopus
arrastando junto ao fundo, e mangueira do colete
flutuando acima da cabeça, são, muitas vezes,
perdoadas em mergulhos em águas abertas, mas nunca
em mergulhos em cavernas, pois estas podem produzir
suspensão, embaraço no cabo-guia, além de outras
situações indesejáveis.
MÁSCARAS
E NADADEIRAS
Muitos mergulhadores de caverna preferem máscaras
de menor volume, pois essas são mais difíceis
de serem deslocadas e alagadas pela ação das correntezas.
Muitas vezes, utilizando-se as tiras das máscaras
por baixo do capuz, evita-se o rompimento da mesma,
além da perda da máscara. Quase todas as nadadeiras
utilizadas no mergulho em águas abertas podem
ser utilizadas no mergulho em caverna. Entretanto,
as do tipo open heel (abertas) são preferidas,
pois, além do fácil ajuste, permitem o uso de
botas, tornando a caminhada de acesso mais agradável
e mantendo o pé aquecido e protegido durante o
mergulho. Ajustar as tiras da máscara e das nadadeiras
antes do mergulho, é da maior importância, para
maior conforto e segurança, devendo-se prender
o excedente das tiras com silver tape, de forma
a evitar que qualquer ponta possa se enroscar
no cabo-guia.
SNORKEL
Este equipamento não deve ser usado durante um
mergulho em cavernas, pois poucas cavernas contêm
bolsões de ar, onde se poderia usar um snorkel
no caso de uma emergência. Muitas vezes esses
bolsões contêm ar que não pode ser respirado,
fora o fato que o snorkel é, sem dúvida, "perigoso",
no sentido de poder se enroscar em algum lugar.
LASTRO
Durante o curso básico de mergulho, aprendemos
que o cinto de lastro é a primeira peça a ser
eliminada, durante uma emergência. No mergulho
em caverna, esse procedimento não proporciona
nenhuma segurança, pois eliminá-lo, fará com
que você seja jogado contra o teto, o que significa
uma situação de emergência. Além disso, como
já vimos, usar o lastro na cintura faz com que
as pernas baixem sua posição, facilitando a
criação da suspensão, motivo pelo qual o mergulhador
deve preferir dividir o lastro em sistemas integrados
ao colete ou no próprio cilindro. Já no caso
de usar o cinto de lastro, eu particularmente
apoio um procedimento que, apesar de não ser
difundido internacionalmente, é apresentado
nos cursos de naufrágio dados por Maurício Carvalho,
que exige dos seus alunos um cinto com duas
fivelas, para que a chance de perdê-lo seja
minimizada.
OS
CILINDROS E AS TORNEIRAS
Os cilindros indicados para o mergulho em caverna
são, na maioria das vezes, de aço e possuem
maior volume (OMS,
Mares, entre outros), quando comparados aos
S80, pois os de aço têm menor flutuabilidade,
ou seja, são mais negativos, podendo funcionar
melhor com o sistema de lastro, evitando que
o peso se concentre na cintura. Geralmente,
quando os mergulhadores de caverna utilizam
cilindros duplos de aço, não necessitam de lastro
adicional, exceto no caso do uso de roupa seca.
A necessidade de cilindros de grande volume
e duplas advêm do fato de que no mergulho em
caverna temos que, por segurança, usar a regra
do terço, ou seja, somente um terço do cilindro
pode ser usado no percurso de ida. As torneiras
são normal-mente do tipo Y e H, que possibilitam
a utilização de dois reguladores em um cilindro
mono.No caso das duplas, os chamados manifoldes,
permitem a conexão de dois reguladores, além
do isolamento dos cilindros, caso haja um vazamento
em uma das torneiras.
REGULADORES,
OCTOPUS E MANÔMETRO
Como já vimos, os mergulhadores de caverna utilizam
torneiras do tipo Y, H ou manifoldes para cilindros
duplos, cujos sistemas permitem a utilização
de dois reguladores. Essa redundância é importante,
pois, no caso de termos problemas com um regulador,
seja no primeiro estágio ou no segundo, teremos
uma redundância completa; o mesmo acontecendo
no caso de, por acidente, durante o percurso,
a torneira se fechar, já que como são independentes,
a outra saída não apresentará problemas. O segundo
estágio adicional (octopus), que será o segundo
estágio de um dos reguladores, deverá possuir
uma mangueira de no mínimo 1,5 metro, sendo
recomendável 2,1 metros, pois a mangueira mais
longa possibilita que o procedimento de respiração
de emergência possa ser executado em todas as
posições, e não somente lado a lado. Isso possibilita
que o dupla passe em restrições onde não seria
possível a natação lado a lado. Alguns mergulhadores
de caverna respiram do regulador de mangueira
curta e, no caso de uma emergência, passam o
regulador de mangueira longa, que estava junto
ao corpo e com a mangueira presa junto ao cilindro
com garrotes. O outro sistema consiste em respirar
da mangueira longa, que será passada ao companheiro
em caso de emergência, tendo o segundo estágio
de mangueira curta junto ao pescoço. No caso
do uso do manômetro, a maioria defende o uso
de somente um em um dos reguladores e uma mangueira
do colete no outro, para diminuir as áreas de
chance de vazamento e facilitar a "compactação"
do mergulhador. Mas existem outros que preferem
usar dois manômetros e duas mangueiras, pois
acreditam na necessidade de redundância.
LANTERNAS
Peça crítica e fundamental para um mergulhador
de
caverna, que deve ser em número de três, uma
principal e duas reservas. No caso de mergulhos
cavem, a necessidade é apenas de duas lanternas,
pois a presença da luz do sol funciona como
uma terceira. A razão de usarmos três lanternas
é que essas são as menos confiáveis, pois as
lâmpadas se queimam de forma imprescindível,
os interruptores se quebram, o mau contato é
comum, as baterias falham por carga indevida
ou por fim da vida útil, e além de tudo podem
alagar. Por esses motivos, além do uso de três,
devemos sempre checar os o 'rings, lubrificação,
contatos, lâmpadas, baterias, antes de cada
mergulho. Normalmente, usamos uma lanterna principal
com grande luminosidade e baterias em uma caixa
estanque, que permitem além de maior potência,
uma maior duração. As outras duas são geralmente
lanternas de pilhas comuns, que combinam a melhor
relação tamanho X potência, pois as mesmas devem
possuir luminosidade
suficiente para iluminar o caminho de saída,
e devem ser as menores possíveis para facilitar
o transporte durante o mergulho. O grupo de
mergulhadores deve usar lanternas de potências
semelhantes, caso contrário a sinalização de
um mergulhador que use uma lanterna menos potente
pode ser prejudicada.
CABO-GUIA
E CARRETILHA
No mergulho em caverna, sem algumas boas carretilhas,
simplesmente não existe como achar o caminho de
volta em uma emergência, principalmente em condições
precárias de visibilidade, ou no caso
das cavernas serem labirínticas. Para que possamos
enrolar e desenrolar o cabo de forma segura, é
necessário que o mesmo esteja guardado de forma
carreta, em uma carretilha projetada especialmente
para isso. As carretilhas são geralmente classificadas
pela quantidade de cabo que armazenam. As carretilhas
de exploração são normalmente maiores e retêm
facilmente de 120 a 250 metros de cabo de nylon.
As carretilhas de segurança e os gaps, como são
chamados, são geralmente menores e contêm de 15
a 30 metros de cabo, que devem ser ligados a dois
cabos permanentes independentes, para reparar
um cabo partido ou até mesmo serem usados durante
um procedimento de procura de cabo-guia. A carretilha
é constituída de uma empunhadura que deve proporcionar
uma “pega” confortável para se trabalhar e permitir
que o mergulhador seque uma lanterna junto da
mesma com uma só mão, um tipo de carretel onde
fica o cabo, que pode ser aberto ou encapsulado,
para evitar embolo no cabo, uma guia para o cabo,
um clip para prendê-la e uma trava que impeça
que o cabo se solte indevidamente, quando a carretilha
não estiver sendo usada. Durante o uso o “freio”
é feito com o dedo. Aprender a usar corretamente
uma carretilha, fazer a amarração do cabo, lidar
com folgas e embolos é de extrema importância
para um mergulhador de cavernas.
Descrição
do equipamento de Mergulhador de Cavernas
- 1-
Torneira H ou Y, com isolador
- 2-
Reguladores Duplos
- 3-
Luz principal com bateria externa.
- 4-
Luzes de segurança (pelo menos duas).
- 5-
Carretilha principal.
- 6-
Carretilha de segurança.
- 7-
Certificação de Cave Diver.
- 8-
Relógio com cronômetro.
- 9-
Profundímetro.
- 10-
Computador.
- 11-
Colete tipo Back Mounted.
- 12-
Capuz ou Capacete.
- 13-
Cilindros Duplos.
- 14-
Nadadeiras.
- 15-
Roupa Seca para proteção térmica.
- 16-
Manômetro.
- 17-
Tabelas de Descompressão, bússola e anotações.
- 18-
Faca.
- 19-
Mascara.
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